The mythical best-practice Agosto 5, 2008
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O programador, um ser tantas vezes considerado prático, analítico, cético, guiado apenas pelo raciocínio, também tem seus momentos de arrebatamento, tal qual um desesperado num culto evangélico. Nada de absurdo: programadores ou crentes, basta que cérebros predispostos sejam atingidos pelas palavras certas.
E que predisposição é essa? No caso do crente, predisposição a qualquer coisa que torne sua vida menos miserável. No caso do programador… bom, a vida (profissional, ao menos) do programador nem é tão sofrida assim, mas basta alguém soltar um rascunho de idéia disfarçado de “paradigma” ou “padrão” e pronto, um pequeno séquito se forma ao redor de um recém-pastor. Nasce uma best-practice instantânea.
Claro que não é um problema a atenção que as (digamos) novidades recebem, muito menos a quantidade delas. (Há que se lamentar, no entanto, o contínuo aumento no volume de lixo circulante na internet.) Quanto mais opinião, melhor, e as idéias cretinas acabam morrendo. Às vezes até favorecem o nascimento de idéias melhores, tal como o estrume serve de adubo. Ruim é a falta de senso crítico, ou excesso de otimismo, ou os dois.
Interessante ainda, e perigoso, é o destino de algumas boas idéias: casos específicos dão certo, artigos são escritos, frameworks são criados, livros são vendidos, cursos são ministrados, certificações são concedidas, e aos poucos a pequena igreja vira um grande negócio. Logo, não faltarão pastores pregando o inferno para quem está do lado de fora. Fazem isso com tanta habilidade e lógica que nem parece que estão simplesmente vendendo o próprio peixe. De novo, basta faltar senso crítico e sobrar oba-oba.
Tenho exercitado o hábito de exigir rigor na hora de encarar uma nova idéia. Ela tem resistência conceitual? Em que condições ela se aplica? Quais outras idéias parecidas já deram (ou não) certo? Será que eu já não fiz isso antes? Esse cara escreveu com interesse em que? Fundamentado em abstrações ou em realidade? Seria essa idéia uma solução à procura de um problema?
Eu diria que o exercício do rigor é uma best-practice, sem dúvida.