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IE 6 e o legado da web Julho 9, 2008

Posted by Humberto B in Uncategorized.
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Muito tem sido falado a respeito da persistência do IE 6 como browser favorito de algumas de pessoas. Confesso que forço a barra no “algumas”, porque, dependendo de quem fornece os dados, o IE 6 permanece uma opção para quase 40% dos usuários. Tal permanência não dá sinais de esgotamento fácil. Vejamos os números do site TheCounter.com, que registra cerca de 7300 hits por hora provindos das páginas que incorporam seus serviços de estatísticas de acesso:

Uso dos três principais browsers, de agosto/2007 até junho/2008

Uso dos três principais browsers, de agosto/2007 até junho/2008

Desespero geral na comunidade de desenvolvimento de software! O clima é de indignação: “como é que esses usuários conseguem usar um navegador desses? Sem suportar direito CSS, JavaScript? Isso é um absurdo! Salvem-nos!”

Colegas desenvolvedores, cabe agora um… momento de reflexão. Especificamente, reflexão sobre o mundo não-rosa onde nós sujamos a mão de graxa diariamente para facilitar a vida do usuário.

Antes, só para contextualizar, digo que o browser ultra-ultrapassado de hoje já foi, indisputavelmente, a melhor opção para o desenvolvimento de aplicativos para web. Lá em 2001 a coisa estava começando a deixar de ser realmente feia no mundo dos browsers: a Microsoft tinha passado o trator em cima da Netscape alguns anos antes, e esse trator tinha sepultado de uma vez por todas o monolítico, atrasado, bugado pra caralho, Netscape Communicator 4.0. A vida que prometia ser dura em 1998, com o programador se lascando pra deixar qualquer coisa minimamente uniforme nos “dois browsers”, já parecia muito mais confortável em 2002, quando a plataforma mais disseminada era, ainda por cima, funcional, extensível, rápida e estável. Obrigado, Microsoft.

O tempo passou e, como todo monopólio que se preste, a Microsoft relaxou com o IE. Pode ser que já então ela estivesse toda enrolada com o Vista e não se dispusesse a atualizar seu browser só porque umas ONGs tecnológicas estavam reclamando suporte a uns padrões esotéricos. “Usuário final não tá nem aí com teste ACID”, podem ter pensado. Ou ainda, “web standard é quando uma implementação atinge 90% dos consumidores”. Até aqui, suposição minha. O fato é que quase 5 anos se passaram até que o IE 7 fosse lançado. E desse momento em diante o desenvolvedor tem um problema: cadê o trator que poderia sepultar o legado do IE 6?

O trator, ironicamente, se chama Windows Vista. Houvesse uma migração em massa para o novo sistema, como ocorreu do Windows 9x para o XP, a coisa seria diferente. Mas agora “o mercado” não exibe mais aqueeela disposição para fazer um upgrade, seja pela dúvida tecnológica ou pelo comodismo. E isso se aplica aos browsers também: se está funcionando, por que eu preciso mudar? Muito complicado esse negócio de computador. Prefiro deixar assim, podem muito bem pensar os usuários. Agimos assim o tempo todo com o carro, com a casa, até com a própria saúde. Para o cidadão comum (aquele que só usa Alt para Ctrl+Alt+Del), o browser é uma preocupação a menos na vida. Tanto faz se suporta PNG transparente ou CSS 2 do jeito que o W3C mandou. Entrou no Orkut? Abriu o internet banking? Carregou o YouTube? Tá ótimo.

Agora, a reflexão. Uma campanha para sepultar o IE 6 é bobagem. Ignorar a existência dele é prejudicar o usuário de propósito. Tudo isso funcionaria se a grande massa fosse consciente de coisas que, na boa, só têm cabimento para desenvolvedor de software. Poucos além de nós vão associar um erro de script ou um box desalinhado à obsolescência do browser. Aposto que a maioria nem vai perceber.

E se você desenvolve sites como quem projeta um foguete intergaláctico, agregando o estado da arte da tecnologia, isso é problema só seu. Não espere que o resto da humanidade use a mesma tralha cibernética que você. Ou melhor ainda, espere sim e veja o que acontece.

A linha dos web standards indica apenas para onde devem convergir os esforços de desenvolvimento das aplicações. Não garante 100% de uniformidade entre os browsers, sejam eles da Microsoft ou da Mozilla ou de quem for. Em outras palavras: extensões proprietárias, ajustes, frameworks JavaScript e gambiarras vão continuar existindo. Assim como browsers ultrapassados e usuários que não manjam de coordenadas X e Y em CSS.

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